[Conto] O Mistério da Praça- Autor – Donnefar Skedar

Olá Seguidores e leitores do Entre Resenhas!!
 
Todos sabem o quanto gosto de um conto, e na procura de um  legal achei esse no blog do Parceiro  Don  ,estava com saudades dessa linha de leitura que gosto, Sobrenatural e Romance, e esse juntou as duas coisas, e como considero o envio do autor como um presente para o blog ,optei em colocar aqui ao invés da Aba Contos e dividir o presente com vocês.
 
 
 
 
O Mistério da Praça.
 Certa vez, parei em uma praça pública para escrever um poema ou algum verso para a coluna do jornal do qual escrevo uma vez por semana, meu nome é Carlos Bonifácio Henrique Salles. Sou conhecido por meus poemas nos jornais locais e de certa forma, sou um escritor de renome dentre os de minha categoria.
 
 Neste dia eu estava impaciente em minha casa e não queria ler nada de autores famosos para ter alguma nova inspiração, eu queria viver meu novo texto, queria olhar e criar através da obra pronta, uma nova visão do que muitos ignoravam a altura do próprio olhar.
 Certa vez li em um jornal que para o grandioso escritor Edgar Allan Poe; “tudo aquilo que vemos não é nada mais que um sonho dentro de outro sonho”. Ninguém consegue ver a mais bela flor e achar que é normal ela nascer ali e não no quintal de casa, por isso eu resolvi ir á praça escrever.
 
 O fim de tarde estava chegando e o sol que esquentava minhas costas, dava um tom lindo na paisagem a minha frente, retirei meu pequeno caderno de notas, onde normalmente escrevo meus textos quando fora de casa e peguei minha caneta esferográfica.
 Iniciei meu texto com a seguinte frase: “Aqui me sento para lhe ver…”.
 
 Subitamente parei ao levantar minha visão e ver uma bela moça que, parada a minha frente, me olhava com um sorriso quase triste em seu rosto. Eu sorri, completamente sem graça por meus óculos velhos e gastos em meu rosto e esperei até que ela dissesse algo…
 Esperei em vão, ela simplesmente me olhava com um olhar suplicante de algo misterioso. Só então notei que a mesma usava um vestido simples, e muito fora de moda, tinha ele sido “da moda” umas duas décadas atrás? Perguntei-me em silencio.
 
 -Posso ajudar em algo? –questionei com a esperança de ser apenas uma bela jovem moradora de rua, esperando algumas moedas.
 -Você escreve para mim?
 Sua voz saiu triste e pessoalmente falando, deprimente e ao mesmo tempo havia nela um timbre perfeito para uma moça que teria seus vinte e poucos anos. Olhei para meu caderno de notas e levantei novamente a visão para a moça e ela sorriu, sorriu o mais belo sorriso para a mais bela tarde.
 
 Expliquei a moça quem eu era “autor da coluna de jornais”, ela não demonstrou qualquer sinal de que conhecia meus textos ou meu nome. Engoli meu orgulho de autor e me alegrei por conhecer alguém que não me conhecia.
 
 Questionei o que ela queria que eu escrevesse, o mistério de seu olhar percorreu todo o meu corpo e me deixou nitidamente inquieto.
 
 -Tu escreverás meu poema e me libertará da tormenta de esperar o que nunca me veio…
 
 Tu? Escreverás? Libertará? Do que ela estava falando? Pensei novamente em silencio. E mesmo assim convidei-a para se sentar ao meu lado e comecei a escrever suas palavras que saiam de uma linda boca que ao meu olhar, não parecia ser aberta ao pronunciar as palavras.
 
 Ao término do poema, algumas palavras me chamou a atenção.
 
 Ela me agradeceu pelo poema e se levantou para partir, antes eu lhe solicitei seu nome para dar os devidos créditos, ela disse-me para dedicar o poema a todos que viviam naquela cidade em meados dos anos 80 e que todos se lembrassem da jovem apaixonada que ali vive.
Olhei ela me dar às costas e quando questionei novamente seu nome e abaixei a visão para escrevê-lo. Ela havia partido tão silenciosa como quando chegou.
 
 Li o nome e não me veio à mente nenhum rosto familiar para associa-lo, mas ao reler as palavras que me chamou a atenção, eu fiquei confuso e inquieto, com tudo liguei rapidamente para meu editor que nascera nesta cidade e li para ele o poema dando uma ênfase nas palavras que me inquietava.
 
 “E por ti meu amor, me banharei todas as noites nas águas calmas de onde nosso amor nasceu naquela noite quando você partiu me prometendo voltar…”.
 
 Meu editor logo suspirou ao telefone e questionou quem e onde havia feito tal poema, lhe expliquei que estava na praça e que ela apareceu misteriosamente, mas que além de dedicar a todos daquela cidade, ela deixou um nome.
 -Diga, qual o nome? –falou meu editor.
 -Ela disse Anna Marta Junqueira e partiu.
 -Não pode ser Carlos…
 
 Assustei-me pelo tom de voz que ele nunca usava comigo e esperei pelo motivo de sua surpresa. Então ele me relatou com um ar macabro que Anna Marta, uma jovem de vinte anos, se suicidara nas águas daquela praça no ano de 1982 quando descobrira que o jovem por quem se apaixonou, morrera quando voltava para a cidade onde iria pedir a mão de Anna em casamento. A morte do jovem fora causada pelo pai de Anna que ficara sabendo do romance dos dois na praça e inventara uma viagem para o jovem ir a cidade vizinha. Anna não suportara ouvir do próprio pai que assassinara seu primeiro e único amor. Gritando para todos em sua casa que estava grávida do jovem, ela correu até a praça onde nadou até perder as forças e se afogou nas águas da praça deixando assim apenas o remorso em seu pai por perder a filha e um neto que não chegou a nascer.
 
 Questionei ao meu editor se poderíamos publicar o poema com as devidas dedicatórias, como o suposto fantasma de Anna havia me dito e então veio a maior de todas as surpresas daquela trágica historia. Ele disse incrédulo que o espírito da jovem estava enviando um recado para o pai que ainda vivia naquela cidade e que por mais bizarro que fosse Anna morrera sem saber que seu amado não havia morrido como o pai havia dito, ele havia fugido da emboscada e retornara a cidade anos depois para enfrentar o pai de Anna, mas ao saber o que Anna havia feito, ele tentou se suicidar como ela, mas foi impedido ficando trancado no hospício da cidade. Dizem os vizinhos do lugar que ele chama por Anna todas as noites e que ninguém vai à praça durante a noite quando as águas estão totalmente imóveis.
 
 Após este episódio, fiz questão de ir com um exemplar do jornal no qual o poema de Anna Marta Junqueira foi publicado, até o hospício em que seu amor se mantinha preso, mas isto é outra história…
FIM

 

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