[Coluna] Nas Entrelinhas – Enquanto dure, por Ricardo Biazotto

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Enquanto dure
Ricardo Biazotto

Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
Soneto de Fidelidade – Vinicius de Moraes

Hoje é o início da nossa história e desejo que ela seja eterna enquanto dure.

Mas como foi difícil chegar até aqui! Talvez mais pelo excesso de vontade do que pela falta da mesma, afinal há tempos procuro alguém que me complete como você me completou no exato instante em que nossos lábios se tocaram pela primeira vez. E depois de tanto esperar, eis que você apareceu para preencher os meus dias, antes vazios pela ausência do amor.

Não digo que ele fazia falta. Como um sentimento que nunca experimentei poderia fazer falta, afinal? A sua ausência não era capaz de mensurar tudo o que inconscientemente esperava um dia encontrar. Mas bastou o nosso primeiro beijo para tudo se preencher de amor e, como em um passe de mágica, o tempo longe de você passar a fazer sentido.

Foi quando entrelacei meus dedos aos seus que a sensação de tocar uma pessoa ganhou um novo sentido. A maciez de sua pele me mostrou que não era mais o mesmo, no entanto todas as mudanças ocorreram gradativamente desde o dia em que a vi pela primeira vez em uma festa qualquer. Ali me encantei por sua beleza singular e prometi nunca mais esquecer os traços de seu rosto, como se soubesse que os nossos destinos já estavam traçados. Como se soubesse que um dia seríamos um só.

A prova de que tudo estava destinado foi o encontro inesperado, em meio às estradas esburacadas e cheias de armadilhas arquitetadas detalhadamente pelo destino. E foi tudo tão rápido e intenso que, quando menos esperava, nossas vidas estavam entrelaçadas e passei a ser envolvido por seu abraço, sentindo o toque de seus lábios e reencontrando neles o prazer de sorrir.

Agora estamos aqui, no alto da Serra da Mantiqueira, abraçados e observando a imensidão do horizonte. O ponto mais alto da montanha foi o local escolhido para celebrarmos o começo de nossa história. Não demoro a perceber o quanto somos pequenos perto de tudo que observamos ao longe.

Ao mesmo tempo me sinto completo apenas por estar ao seu lado.

Sentindo a brisa dessa tarde enrolada de inverno, acaricio o seu rosto enquanto observamos pessoas comuns se divertindo ao nosso redor, praticando voo livre e outras modalidades que parecem preenchê-las com adrenalina e prazer. Mas o meu prazer está no simples gesto de tocar a sua pele, sentir o calor do seu corpo e ouvir a doçura de sua voz, anunciando aos quatro ventos que juntos redescobrimos o sentido da palavra amor.

— Agora que conheço o amor, arrisco a dizer que a nossa história será eterna.

— Por que?

— Ora, acho que finalmente encontrei o que estive sempre procurando.

— E o que era, afinal?

— Você!

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