[Coluna] Variedades – Espiritualidade e Ciência, por Edson Luiz Pocahi

dna-child

O mistério dos genes que apenas são ativos antes de nascermos, e depois de morrermos, intriga cientistas

Todo mundo sabe que a morte é aquele instante em que a vida desaparece, não é mesmo? Os órgãos vitais falham, o cérebro, desta forma, deixa de receber alimento, e por isso, não envia sinais ao resto do corpo, que colapsa totalmente, o pulmão já não se movimenta, interrompendo a respiração, o coração para, e com isso, a circulação do sangue deixa de ser realizada, o que acaba matando as células de todo o organismo por não receberem mais nutrientes e oxigênio.

Mas será que é assim mesmo? E se uma parte do nosso corpo não apenas continuasse viva, mas   se tornasse ainda mais ativa com a morte?

De acordo com o projeto Genoma, o DNA humano é composto de 20 mil a 25 mil genes. Os genes são a unidade funcional e física da hereditariedade, que transportam a informação de uma geração à outra. Cientistas americanos da Universidade de Washington,  identificaram em seus estudos que foram publicados no site bioRxiv, mais de mil genes que se ativaram com a morte, e funcionaram até quatro dias após a morte em peixes e camundongos.

Segundo os cientistas, a ativação da maioria deles faz sentido, pois há genes relacionados a funções como estimular a inflamação, ativar o sistema imunológico e combater o estresse. Dessa forma, esses genes, que são programados para se ativarem nas emergências em relação à saúde, trabalham como loucos tentando ressuscitar as células, até aí nada de anormal. Porém, outros genes deixaram os pesquisadores intrigados, pois até onde se sabia, eles apenas eram ativados em embriões para ajudar no desenvolvimento do feto.

“É de cair o queixo que os genes do desenvolvimento se ativem após a morte”, disse à revista Science o microbiólogo e coordenador do estudo, Peter Noble.

Ou seja. Há certos genes no nosso organismo, no nosso DNA, que são ativos durante todo o nosso desenvolvimento enquanto estamos no útero de nossa mãe, e assim que nascemos, eles se desligam, e ficam assim, durante toda a vida. Mas, na hora de nossa morte, esses mesmos genes novamente se ativam.

Como gosto de olhar o ser humano como um todo, e não apenas fisicamente, isso me fez pensar, o que poderia estar acontecendo espiritualmente nessa hora. Segundo o Espiritismo, para o espírito, é muito mais doloroso e complicado o nascimento do que a morte. Também é dito que os nove meses  da gestação, é um período de paciência e transição ao espírito, é como se ele estivesse ligado ao corpo, ao feto, mas não totalmente, é como se estivesse  com um pé no mundo físico e outro no mundo espiritual, e isso é algo bem desconfortável, pois o espírito, livre por natureza, estaria se enclausurando em um corpo físico, muito mais limitado, denso, pesado.

Já a morte, é considerada ao espírito, muito fácil, sem dor, é a tão esperada liberdade. Ainda sobre a morte, o Espiritismo alerta àqueles que querem ser cremados, que deem instruções aos parentes, que façam apenas depois de 48 horas da hora da morte, para que o espírito já esteja totalmente solto do corpo.

Se o Espiritismo tiver certo sobre essas informações, olha só que interessante essa descoberta dos cientistas, será que esses genes não são os responsáveis por essas etapas?

Durante a gestação, esses genes estariam “amarrando a nossa alma” ao nosso corpo, enquanto estamos no útero, que é esse mundo transitório, lembre-se que nossos pulmões estão cheios de líquido nesses noves meses, e recebemos oxigênio da mãe pelo cordão umbilical. E assim que morremos, esses genes novamente entram em ação, agora para “desamarrar a nossa alma” do nosso corpo, libertando o nosso espírito, em um processo que levaria até 48 horas.

Será essa a real função desses genes? Nos ligar e nos desligar dessa máquina espetacular chamada corpo humano. Um dia, saberemos.

Edson Luiz Pocahi

http://edsonluizpocahi.net

https://facebook.com/escritor.EdsonLuizPocahi

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *