[Resenha] Grana torpe, de Felipe Frasi – Ler Editorial

granatorpeTítulo: Grana torpe
Autor: Felipe Frasi
ISBN: 978-85-68925-41-6
Gênero: Contos/crônica
Páginas:112
Editora: Ler Editorial
Cortesia da editora

Sinopse:

Uma obra que explora a realidade de forma nua e crua.O tema central abre caminho para um retrato das interações sociais em uma sociedade cada vez mais individualista e consumista.Os 15 contos apresentados abordam questões polêmicas, sem pretensão de que sejam respondidas, apenas refletidas e discutidas.

Resenha:

Quando me surgiu a oportunidade de ler esse livro, imediatamente me veio à mente que sempre gostei de contos, sempre li contos, porém nunca antes havia feito uma resenha de um livro de contos. Então assim que comecei essa leitura  incrível, pus em minha cabeça que dessa vez, teria que ler com a atenção de um crítico, afinal teria que escrever sobre ele. Então, meu desafio começou, e antes mesmo de terminar o primeiro conto, já me percebi  tranquila em relação à “Grana Torpe”, que ao contrário do que imaginava  não seria um desafio tão desafiador assim, afinal, que leitura interessante estava tendo.

Felipe Frasi nos apresenta no decorrer do livro contos que nos induzem à reflexão, estamos passando por um período tão complicado em nosso país, que acho que o assunto veio totalmente a calhar. Estamos cercado de todos os lados por pessoas que em função de dinheiro são capazes de tantas atrocidades, que não me admira vê-los  vender a alma. E em tantos casos sem remorso algum.

Cada conto vem com uma narrativa tão detalhada, que nos faz pensar em como o dinheiro é capaz de moldar os destinos, trilhar os caminhos… definir uma vida, o que é realmente triste.

Em cada conto, vivemos uma vida…  Ora Sofia… Stela… Isabela…Sandra… Augusta, e em cada um, um tema deferente, mas que gira em volta de dinheiro.

Com uma escrita totalmente descomplicada, somos conduzidos à  situações diferentes, mas de alguma forma esses meios nos levam a fins assustadoramente  iguais… a grana!

Após cada conto, impossível não refletir sobre o que estamos fazendo de nossas vidas hoje, de que maneiras nos vendemos para obtermos o que queremos, onde demarcamos o limite dos excessos que cometemos a fim de chegarmos ao tão esperado sonho material que idealizamos algum dia?  Espero que não de maneira tão torpe como descrito no livro, afinal, como dito antes mesmo do prefácio: “Há duas tragédias na vida: uma, a de não satisfazermos nossos desejos; a outra, a de os satisfazermos.” E é assim, de maneira tão impactante que começamos essa viagem que o livro nos proporciona.  

Dentre os 15 contos, alguns me tocaram de maneira mais profunda, e a raiva costumeira em romances, ressurgiu de maneira brusca… Liberdade, por exemplo, é extremamente revoltante, e o que mais me entristece é a certeza, ouso dizer, absoluta, que se procurarmos com olhos bem atentos, encontraremos pelo menos 1 caso igual por ai… talvez em nossa cidade… talvez na esquina de casa. London London, me casou uma melancolia, um dissabor, por saber que o dinheiro compra até mesmo o algo a mais, o que poderia ter sido uma linda história de amor. Poderia aqui citar o misto de sentimentos experimentados conto pós conto, mas nenhum me deixou tão surpresa quanto o “ Dona Augusta”, o último e inesperado, aquele que te arranca a venda dos olhos.

Com uma capa interessantíssima, páginas off White , leitura fluídica , sem erros de português, fonte adequada, temos em Grana Torpe, um ótimo livro, que mesmo que o objetivo fim não seja reflexão, tenha certeza… você vai refletir, inconscientemente vai se pegar pensando nos seus atos, e com certeza, vai tentar ser, pelo menos um pouquinho, um ser diferente.

 

 

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