[Resenha] A bagagem dos viajantes – Histórias de ética e sabedoria de, Koichi Kimura – por Renata Maiochi

Capa Bagagem 8 Este livro é um guia de viagem.

Cada página é uma placa, uma pousada, sombra de árvore. Mais que autor, Koichi Kimura é um rastreador de olhar único e múltiplo, compilando histórias de samurais, provérbios, biografias, fábulas ocidentais e orientais. Onde se enxerga empreendedorismo, Kimura vê exemplo de recomeço; na carreira vitoriosa de um político, lição de humildade na oportunidade de vingança, a chance de estender a mão.

No final, um sermão do Buda funciona como bússola, norteando o leitor na direção do objetivo da vida e dando-lhe a determinação necessária para seguir adiante, mesmo quando as dificuldades são tais que a rendição parece a melhor saída.

Os ancestrais desbravaram esta trilha, então escura e misteriosa. A cada geração, novos passos e tropeços. Que as narrativas desta obra sejam uma fogueira em noite fria, um regato para saciar a sede neste longo caminho com destino ao eu.

Resenha: “… a vida é uma peça de teatro sem tempo para ensaiar.” E assim iniciamos a viagem fascinante para dentro de nosso interior. Em cada página virada, uma lição extraordinariamente simples, tanto quanto profunda, grande e significativa, que nos põe a refletir sobre nossas ações, no quanto damos voltas em volta de nós mesmos, o quanto dificultamos as coisas em cada momento vivido.

Em A Bagagem dos Viajantes – Histórias de ética e sabedoria, encontramos conselhos que tenho certeza que cada um de nós já ouviu em algum momento da vida, a diferença está na reflexão nunca feita. Você na verdade percebe a criança petulante que foi no dia que ouviu uma parábola ou outra, e pior… Percebe que pouco mudou… Você continua a mesma criança em fase de aprendizagem, com a capacidade ainda não evoluída de pensar claramente, e continuamos dando uma dimensão muito grande para problemas pequenos.

Com três capítulos e 184 páginas em off- White, sem erros de português e uma capa lindíssima,  Koichi Kimura nos proporciona uma viagem fascinante, onde, em cada “parada” somos presenteados com uma nova lição que vai surgindo com sutis palavras, comparações e parábolas que não é possível sentir o virar das páginas.

Interessantes histórias como “Alguns minutos por dia conduzem ao sucesso”, que nos conta uma passagem de James Garfiels, vigésimo presidente dos EUA, nos faz repensar como ocupamos o nosso tempo diariamente e que às vezes o pouco pode fazer com que a sua vida mude.  O desafio pessoal é fundamental para nunca ficarmos parados.

Em outros momentos, fábulas como a “A Cigarra e a Formiga” me fizeram ter uma visão diferente de quando a ouvi pela primeira vez. Assim como em “A lebre e a tartaruga” ou em “ O pardal da língua cortada” me fez questionar : o que trago dentro do meu coração: a presunção ou a humildade? Acredito que muitos de nós, pretenciosos que somos, acreditamos que apenas a humildade. Ai entra a importância do livro… depois de cada parábola ou história você percebe o quão longe está de uma vida limpa, regada de simplicidade e modéstia. O livro te faz perceber que uma mudança é necessária, para o bem viver, para uma vida feliz e plena. Dentre todas as histórias lidas, a última, talvez propositalmente, é aquela que com certeza vai te fazer fechar a contra capa com as seguintes questões:

Qual a duração da vida?

Que tipo de cavalo somos?

O que acontece após a morte?

Embora para cada uma haja uma lição, garanto que você ainda pensará nisso por algum tempo, talvez como eu, abraçada ao livro e tentando saber sobre como você responderia cada uma dessas perguntas. A questão é que tudo isso te leva a outra pergunta: Quem sou eu??

Espero verdadeiramente que esse livro consiga atingir em você algo tão profundo como aconteceu comigo, e se cada vez que nos depararmos em alguma situação que caiba alguma parábola dessas, saberemos ao menos, como pensar antes de qualquer atitude, pois como dito no livro, devemos aprender uma coisa por dia, e no final do ano, serão 365 coisas a mais.

Recomendo!

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Sobre o autor

Escritor de grande sucesso no Japão, Koichi Kimura se formou em ciências sociais na universidade de Toyama (Japão) e lança seu primeiro livro em solo brasileiro.
Ele leu diversos romances e pesquisou a história da humanidade, colecionando narrativas que pudessem ajudar as pessoas a viver nos dias atuais.

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